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Imagine que você tem 15 dias para fazer sua primeira visita à Europa. Eu, Alexandre Policarpo, passei por essa situação e escolhi um roteiro básico, de visitar 11 cidades em 4 países. Calma, não é tão desesperador assim! A única questão é ver suas preferências e organizar o seu tempo. Aqui, conto um pouco dessa minha jornada e dou algumas dicas de divisão de horários e lugares a serem visitados.

Saí do Brasil com um objetivo e um roteiro pré-definido de países: Itália, Suíça, França e Inglaterra, a fim de conhecer os principais pontos turísticos europeus – para nós, os principais são os que estão na Europa ocidental. Fui visitando esses países de acordo com a proximidade entre eles. Tirando a parte da Inglaterra, que é uma ilha, fui a cada um dos locais por meios terrestres – de ônibus, mais especificamente –, e a viagem mais demorada foi de apenas 7h, de Zurique para Paris.

Para explicar melhor, vou dar algumas dicas e desmembrar meu trajeto, falando sobre o que fazer nesses países e, em cada cidade por onde passei – pode ser que te inspire!

DICAS

A viagem foi incrível para conhecer, ao raso, cada uma das cidades que visitei! No geral, voltei para o Brasil satisfeito, em alguns sentidos, insatisfeito em outros, e também muito cansado. Então, balanceando tudo isso, pensei em algumas dicas para quem pretende seguir um roteiro parecido a esse:

  • Saiba inglês!

O inglês é indispensável para visitar algum desses lugares. Ainda que em alguns países seja falado outro idioma, não fique receoso em usar, à vontade, a língua inglesa – você será entendido, compreenderá informações e conseguirá seguir seu roteiro facilmente. Ao contrário do que dizem por aí, italianos e franceses não ficam com raiva porque você não falou suas respectivas línguas. Mas, por precaução, faça como eu e decore, pelo menos, as saudações, agradecimentos e despedidas dessas línguas.

  • Visite primeiramente os lugares que você mais está a fim de conhecer.

Assim, como suas energias estão 100%, você consegue aproveitar o lugar da melhor forma, com maior disposição. No meu caso, organizei de acordo com a localização, o que também pode ser uma boa opção, e ainda assim isso se coincidiu com meus gostos pessoais e anseios de conhecer lugares.

  • Não espere que você vá conseguir fazer tudo.

Não, infelizmente você não vai conseguir fazer tudo o que planeja nesse roteiro corrido. Antes de ir, coloquei em mente que esse seria um passeio apenas para conhecer os pontos turísticos – ou seja, não dá para aproveitar outras coisas que gostaria de fazer, como assistir a shows, conhecer a vida como a de um cidadão local e até pontos turísticos que não pude aproveitar tão bem.

  • Depois de fazer esse roteiro, escolha a cidade que mais gostou e fique uma semana nela.

Fazendo essa seleção, você poderá ir com uma experiência prévia da cidade que te guiará em seus novos percursos. E, aí sim, você poderá aproveitar muito mais da cidade que escolheu, para além de pontos turísticos!

ITÁLIA

Vaticano, em Roma, visto de cima, do Castelo de Santo Ângelo (Foto: Alexandre Policarpo)
Vaticano, em Roma, visto de cima, do Castelo de Santo Ângelo (Foto: Alexandre Policarpo)

Talvez seja porque foi o primeiro que visitei, mas esse foi o país que mais me encantou! Conversando com amigos, vi que essa opinião não é unânime, mas descobri a razão: a Itália foge do glamour de tecnologia e riqueza, tendo uma beleza própria e clássica. Se você, assim como eu, é um amante da história e das artes, com certeza ficará encantado com o país.

Uma curiosidade é que a Itália tem uma cultura mais rústica ao sul, onde fica Nápoles, e muito requintada ao norte, onde está Milão, considerada uma das capitais mundiais da moda. Isso, claro, se deve à influência que os países nortenhos – mais ricos e desenvolvidos – dão às cidades da região.

Na Itália, visitei o maior número de cidades, ficando uma semana no país. Então, um pouco de disciplina foi necessário para que nada, que fosse imperdível aos olhos turísticos, ficasse de fora das minhas andanças. Por isso, fiz a seguinte divisão: média de 3 dias na capital, Roma, e apenas 1 dia em cada pequena cidade. Isso já foi suficiente para conhecer e aproveitar os lugares – e isso levei também para os outros países em que fui na sequência.

ROMA

Como dizem, Roma realmente é um museu a céu aberto: para onde quer que você olhe, há uma igreja antiga, uma escultura diferente, uma arquitetura clássica, um glamour característico. A capital italiana te leva a séculos e séculos de história.

Imagine o quão intimidador, no bom sentido, foi visitar o Vaticano como meu primeiro ponto turístico da Europa! Nunca vi algo tão exuberante quanto aquela praça de São Pedro, acompanhada da basílica e de todas aquelas esculturas no entorno. O porém é que fui em pleno verão europeu às 11h: estava muito calor! Mas isso me deu um gancho para experimentar o tradicional sorvete italiano – o gelatto. Uma dica que aprendi lá é que, quanto menos enfeitada estiver a bancada de sorvetes, mais requintada é a marca do sorvete.

O Museu do Vaticano é enorme, incrível. Integrado a ele, está a Capela Sistina, com o teto todo enfeitado com as famosas pinturas renascentistas, e a Basílica de São Pedro, que, além de maravilhosa por si só, ainda abriga a famosa Pietà de Michelangelo. A título de curiosidade, ainda que o Vaticano seja considerado uma cidade-estado, não é pedido passaporte ou algum outro tipo de verificação na entrada do menor país do mundo.

Como o horário já era próximo do almoço, saindo de lá fui à procura de uma pizzaria, o que não falta naquela região. Comi uma pizza que não me lembro o nome do sabor, mas tinha presunto parma, champignon, tomate, enfim. Percebi também que a pizza é o que causa mais surpresa para nós, brasileiros: estamos muito acostumadas com a massa muito recheada, e, lá, fazem-na de uma forma mais leve, mais fina, mais crocante e com menos recheio – lembrando, um pouco, bruschettas. A meu ver, ambas são uma delícia, mas são feitas com propósitos diferentes.

Depois do Vaticano, fui ao Coliseu. O monumento fica numa região mais distante do centro – ou seja, pude fazer como que um city tour nesse meio tempo. Na região, também estão outras ruínas, como o Fórum Romano. Na volta, passei na Piazza Venezia acompanhada do Vittoriano, um monumento em homenagem ao primeiro rei da Itália unificada, Vittorio Emanuele II. Pela proximidade, também fui à igreja San Pietro in Vincoli, onde está a polêmica imagem de Moisés, de Michelangelo, que foi esculpido com chifres.

Anoitecendo, é ótimo ir para restaurantes de Trastevere, um dos bairros mais tradicionais de Roma. Um dos melhores lugares para se tomar um drink, jantar e conhecer um pouco do tradicionalismo romano por suas vielas, onde mal passam carros, e restaurantes com mesinhas na calçada.

Comecei o outro dia, visitando o Castelo de Santo Ângelo, que hoje funciona como museu. A vista para a cidade, lá de cima, é incrível! De lá, fui andando para o Panteão (atualmente abriga uma igreja e guarda os túmulos de Vittorio Emanuele II e do renascentista Rafael). Também fui à igreja Santa Maria della Vittoria, onde está a escultura 'Êxtase de Santa Tereza', esculpida por Bernini. O passeio seguinte incluiu a Piazza Navona, uma das mais famosas praças romanas – e, claro, com mais fontes, esculturas e exuberância –, onde almocei um espaguete em um restaurante que fica bem em frente a ela. Foi um bom momento para relaxar, sentado naquelas mesas ao ar livre. Depois do almoço, fui à Fontana di Trevi, uma das mais robustas fontes romanas, com esculturas do deus Netuno e seus seguidores.

Ufa! É claro que esses roteiros podem variar de pessoa para pessoa, mas consegui fazer tudo o que tinha em mente na cidade. Praticamente todas as vezes, fiz meus trajetos a pé, assim dá para aproveitar e conhecer melhor a cidade – as vezes que usei ônibus ou táxi era na volta, pelo cansaço. Claro que fica sempre um desejo de ficar e aproveitar mais, mas esse não era meu propósito e ainda havia outras cidades para se conhecer.

FLORENÇA

Chegamos à cidade berço do renascimento italiano. Florença é bem pequena, mas muito charmosa. Logo de cara já se é surpreendido pelo duomo – como são chamadas as maiores catedrais das cidades europeias –, a igreja Santa Maria del Fiore, com sua cúpula proeminente. Também na Piazza del Duomo, quase que de frente à basílica, está o Batistério de São João, de formato octogonal e com as famosas portas de bronze, representando cenas da vida de São João Batista e as virtudes.

Logo depois, segui para a Piazza della Signoria, onde está o Palazzo Vecchio. O palácio abriga, hoje, a sede da prefeitura da cidade, mas a entrada para visitas é permitida – já que no interior funciona um museu. A praça, por si só, já se parece com um museu, com várias esculturas ao redor. Logo na fachada do Palazzo Vecchio está uma réplica da famosa escultura de David, do Michelangelo. À esquerda do palácio também fica a Loggia dei Lanzi, um local coberto onde está a maioria das estátuas – quase todas retratando seres da mitologia e histórias que fazem parte da lenda italiana.

Uma boa dica é almoçar em uma das ruazinhas afluentes à Piazza della Signoria. Optei por um restaurante que oferecia entrada, prato principal, sobremesa e vinho à vontade por 30 euros. Essa refeição refletiu muito a realidade e a cultura italiana: uma massa como prato principal, um tiramisù como sobremesa e vinho para acompanhar sempre que possível. Logo depois do almoço, dei uma volta pela cidade, passeei pelas famosas pontes sobre o rio Arno, como a tradicional Ponte Vecchio – ainda prendi um 'cadeado do amor'.

Na volta do almoço, passei pela área externa da Galeria dos Ofícios e da Galeria da Academia de Belas Artes de Florença. Por questão de tempo, não pude entrar onde estão a obra original de David do Michelangelo e famosas pinturas como 'O nascimento de Vênus', de Botticelli, e 'Baco', de Caravaggio. Ainda assim, há esculturas maravilhosas também a céu aberto, como as que representam os renascentistas Da Vinci, Donatello e Giotto.

Depois disso, decidi ir para o hotel descansar para, mais à noite, ir a uma boate na cidade. Fui na Space Eletronic, uma das mais famosas de Florença, onde vai a maioria de turistas. O ambiente é bem legal: na parte de baixo, funciona um karaokê e, mais tarde, liberam a entrada para o segundo andar, onde funciona efetivamente a discoteca. As músicas e o local são bem parecidos com o que nós, brasileiros, estamos acostumados.

VERONA

Passei apenas algumas horas em Verona, mas foi o suficiente para que eu pudesse conhecer a pequena cidade. Chegando lá, a primeira coisa que vi foi a Arena de Verona, um antigo estádio da época do Império Romano, bem semelhante ao Coliseu. Hoje, funciona como uma arena onde esporadicamente tem espetáculos de música e teatro. Pude presenciar a montagem de um show de ópera, que seria realizado em breve no local.

Meu próximo destino foi a Casa da Julieta, onde morou a namorada de Romeu, na época de seu romance. A casa é uma gracinha, bem pequenininha e agora mobiliada. A parede da entrada é cheia de bilhetes que as pessoas deixam para seus amores: diz a lenda que, se você deixar um recado ali para seu parceiro ou parceira, o amor durará para sempre. Fui para uma feirinha na praça principal da cidade, a Piazza delle Erbe, ótima para comprar lembrancinhas. Depois, então, segui para Veneza.

VENEZA

Depois de algumas horinhas de estrada – e de água! –, cheguei a Veneza. Como fica em uma ilha, é necessário pegar um barco que liga a parte continental à cidade. Desembarquei no Grande Canal de Veneza, o maior e mais importante ponto aquático da região. De lá, é claro, já fiz o primeiro passeio nas gôndolas venezianas. É a mais famosa e, pelo que passei, a melhor experiência que se pode ter em Veneza, passear pelas ruelas alagadas da cidade.

Falando em ruelas, é muito fácil se perder em Veneza. Ainda que você esteja com um mapa ou algo do tipo, as ruas são muito confusas. Então, marque sempre um ponto de referência. Cuidado, também, com os almoços à beira dos canais: os restaurantes geralmente pesam muito no preço pelo glamour do lugar.

Depois do passeio, desembarcando novamente no Grande Canal de Veneza, fui à Piazza San Marco, onde fica o duomo da cidade, a Basilica di San Marco. O padroeiro da cidade é representado por um leão, então vários monumentos têm referência a São Marcos, seja pela representação do leão ou por contê-lo no nome. A basílica é linda, com um estilo arquitetônico bizantino e toda decorada internamente em ouro e mosaicos.

Outro monumento com arquitetura bizantina e gótica é o Palazzo Ducale, antiga sede do doge veneziano. Uma boa parte fica ao longo do Grande Canal de Veneza, e a outra parte dá, também, na Piazza San Marco. Uma curiosidade do palácio é a Ponte dos Suspiros: muitos pensam que é por um suspiro romântico que ela é chamada assim, mas, na verdade, o nome vem da época dos prisioneiros de guerra, que passavam por ela para serem assassinados.

Como último ponto turístico, deixei o Campanário de São Marcos. Com quase 100m de altura, a vista para a cidade veneziana é incrível! Ah, também adoro a cultura do carnaval de Veneza, então aproveitei a oportunidade e comprei várias máscaras (aconselho a quem se interessa que também compre como lembrança).

MILÃO

Chegamos na parte mais ao norte do meu trajeto na Itália. Em Milão, vemos uma cidade diferente do que foi vista no restante do país: arquiteturas mais inspiradas em um estilo francês, sociedade mais cosmopolita e, claro, um grande apreço pelo bom gosto – já que estamos falando de uma das capitais mundiais da moda.

É claro que, mesmo com toda a modernidade que acompanha a cidade, em se falando de uma cidade italiana, não podia deixar de existir uma basílica. A Duomo di Milano, em minha opinião, é uma das mais incríveis igrejas italianas por sua excentricidade expressa no estilo gótico, com muitas hastes pontiagudas.

Para os amantes da moda, vale a pena passear pelas ruas de Milão, mais cheias de lojas de grife do que as demais cidades, e na Galleria Vittorio Emanuele II, um complexo que reúne todas as principais marcas – e que tem uma arquitetura também incrível.

SUÍÇA

Vista da cidade de Lucerna, na Suíça, a partir do Lago dos Quatro Cantões (Foto: Alexandre Policarpo)
Vista da cidade de Lucerna, na Suíça, a partir do Lago dos Quatro Cantões (Foto: Alexandre Policarpo)

Para ser sincero, não estava nos meus planos conhecer a Suíça. Mas como, de qualquer forma, eu teria que passar pelo país para chegar à França, vi que seria bom passar um dia na Suíça e conhecê-la um pouco. No fim, foi interessante ter essa experiência de visitar um país tão singular naquele meio europeu.

O país tem algumas particularidades: ele não pertence à Zona do Euro, então você tem que levar alguns franco-suíços se quiser comprar algo, que são um pouquinho mais caros que o euro; as línguas oficiais do país são o alemão, o francês, o italiano e o romanche. Principalmente o alemão e o inglês são muito usados.

De começo, já fiquei em choque pela grande diferença que um país tem do outro com pequenas horas de viagem. De repente, pela estada – que é maravilhosa e muito bem estruturada, por sinal –, já era possível ver os famosos alpes suíços, a vegetação conífera e o clima muito mais frio do que na Itália, em pleno verão europeu.

LUCERNA

Lucerna é uma cidadezinha pequena e muito charmosa e um dos maiores atrativos para turistas no país. Cheguei pela estrada e já vi o Lago dos Quatro Cantões, um lago lindo que fica bem no centro da cidade. Optei por almoçar em um restaurante que fica bem mais afastado do centro, no alto de uma montanha dos arredores – um bondinho liga-o à parte mais baixa da cidade. No cardápio, a comida típica do país: salsichão.

Na volta, visitei a Kapellbrücke, uma ponte de madeira bem antiga que fica por cima do Lado dos Quatro Cantões, toda enfeitada com flores. Depois, dei uma volta pela cidade e, claro, comprei alguns chocolates suíços.

ZURIQUE

Fui para Zurique no fim da tarde. Minha intenção era apenas de conhecê-la por alto e dormir lá para ir à França no dia seguinte. O que pude perceber é que a capital da Suíça é uma cidade muito movimentada, bem comercial inclusive. Foi interessante conhecer a sede de vários bancos e ver como funciona a vida em uma capital mundial do comércio.

FRANÇA

Torre Eiffel, em Paris, vista no Campo de Marte (Foto: Alexandre Policarpo)
Torre Eiffel, em Paris, vista no Campo de Marte (Foto: Alexandre Policarpo)

Antes de ir ao país, ouvi inúmeros boatos sobre a França – ou melhor, sobre os franceses: que são nojentos, chatos, metidos, grosseiros. Felizmente, essa não foi a experiência que eu tive no país – o que também não significa que não haja pessoas assim, como há em qualquer outro lugar do mundo.

Como tinha acabado de sair da Suíça, foi outro choque de realidade pela arquitetura, costumes e pela nova língua – até então, não havia tido contato direto com o francês pela Europa. Ainda assim, o inglês foi suficiente para que eu pudesse me comunicar – e não houve grosserias por não saber falar francês, como me alertaram anteriormente.

PARIS

A cidade faz jus à fama que tem: muito charme e muito luxo. Paris carrega sua elegância sustentada pela arquitetura, pelo idioma e urbanismo. Era início de noite e decidi andar sem um rumo específico – foi lindo vê-la toda iluminada, como uma das minhas primeiras impressões. Próximo das 22h30, fui a Place du Trocadéro, um dos melhores lugares para se ter visão geral da Torre Eiffel. Às 23h, é realizado o show de pisca-pisca das luzes na torre, e, lá no Trocadéro, pude ter uma visão privilegiada.

No outro dia, gastei parte da manhã andando um pouco mais pela cidade e conhecendo alguns dos principais pontos turísticos. Transitando sobre o rio Sena, que corta a cidade de cima a baixo, passei pelas diversas pontes que lá existem, como a Pont des Arts, famosa pelos 'cadeados do amor', a Ponte Alexandre III, conhecida por sua exuberância e esculturas douradas ao redor, e a Pont de la Concorde, famosa por ter sido construída durante a Revolução Francesa, com pedras da Bastilha.

Depois, fiz minha visita ao Museu do Louvre, um dos mais importantes museus do mundo. O foco são pinturas e esculturas que vão da idade antiga até o renascimento. As obras de artes egípcias, romanas, gregas e islâmicas, são separadas por salas. Claro que não podia deixar de ver as obras de arte mais famosas da história, como a Monalisa, a Vênus de Milo, a Vitória de Samotrácia e 'A liberdade guiando o povo', de Eugène Delacroix, representando a Revolução Francesa. Como o tempo era curto, procurei ver apenas as obras principais, mas compensaria ficar durante um dia inteiro. Por curiosidade: um dito popular diz que se um visitante apreciar cada obra por um minuto, ele demora três anos para visitar todo o museu.

Saindo do Louvre, fui a um restaurante na Rue de Rivoli, importante endereço em Paris. Comi um crepe de carne moída e ovo frito que me sustentou pelo resto do dia. Ainda seguindo um roteiro de museus, fui ao Centro Georges Pompideu, onde fica o Museu Nacional de Arte Moderna da França. Diferentemente do Louvre, esse abriga obras modernas, feitas a partir de 1900, e contemporâneas, feitas a partir de 1960. Pude, então, ter contato com vários estilos da história da arte que compõem a vanguarda europeia e artistas como Picasso, Picabia, Duchamp, Man Ray e Andy Warhol. Ah, o centro da cidade é bem fácil de se achar: sua estrutura pós-modernista se distingue facilmente da arquitetura francesa, sendo um complexo diferenciado, bem no meio de Paris. Além disso, das escadas do Pompideu, você pode ter uma linda vista para toda a Paris e seus pontos principais, como a Torre Eiffel e a basílica de Sacré Coeur.

A noite pode ser bem agitada em Paris se você quiser. Na minha segunda noite na cidade, visitei um dos barcos que ficam à margem do rio Sena. “Como assim, 'visitou um barco'?” Sim: na cidade-luz, há barcos que, à noite, se transformam em bares ou até danceterias. Fui ao Batofar, um dos mais famosos, e foi muito interessante ver como as pessoas, tanto residentes quanto visitantes, apreciam esse formato de vida noturna – e, cá pra nós, realmente é de se apreciar.

VERSALHES

Acordei cedo no outro dia para visitar Versalhes. Na verdade, não conheci muito a cidade em si, fui apenas atrás do Palácio de Versalhes. Ele é tão intimidador quanto o Vaticano, como disse anteriormente. Seus jardins e principalmente o design interno dos cômodos são imperdíveis e te levam, em espírito, ao Antigo Regime francês, dos séculos XVI ao XVIII. Foi aqui onde viveu a família real da França. O local ficou muito famoso, principalmente, após o filme Maria Antonieta (2006), que retrata a rainha – que ficou conhecida como 'A Louca' – e a vida da última geração da família real a morar lá.

PARIS

No meio da tarde, retornei para Paris e, depois de um dia cansativo de pequenas viagens e visitas escolhi fazer um piquenique nos gramados da Torre Eiffel. As comidas e bebidas puderam ser facilmente compradas nos arredores – acho que os vendedores já esperam que os turistas vão querer fazer esse passeio. Em Paris, esse é realmente um programa que os moradores costumam fazer para, por exemplo, encontrar alguns amigos. Foi muito bonito ver aqueles gramados lotados de pessoas, cada um carregando algo de seu gosto – e muitos com vinhos e champanhes. Ah, uma observação é que não subi na Torre Eiffel; a fila estava muito grande e achei que não compensava gastar tanto tempo ali, ainda mais que há outros pontos da cidade onde também é possível ver Paris de cima.

Quando o sol já estava quase se pondo, quis andar pela avenida Champs-Élysées, a mais famosa da cidade. Por si só, a avenida é muito charmosa e reflete bem o que é Paris, com toda sua elegância. Além de várias árvores, as lojas de grife a guiam de cima a baixo, enchendo-a de turistas que a movimentam. No fim da avenida está o Arco do Triunfo – principal monumento de Paris, junto à Torre Eiffel. O que achei mais interessante, além de sua imponência, é que ele fica em uma praça no centro da cidade, no ponto de convergência de pelo menos 12 ruas – parece ser algo tão comum para os residentes, passar por ali todos os dias!

Comecei meu último dia na França andando pelas ruas da região de Montmartre. O bairro parisiense foi um reduto de importantes personagens dos anos de 1920, desde escritores até dançarinas. Lá, fui ao Moulin Rouge, um dos mais famosos cabarés do mundo, e eu, que amo a cor vermelha, fiquei encantado. Passei também pela basílica de Sacré Coeur, onde se tem uma vista privilegiada de Paris. A igreja é inspirada, em partes, na arquitetura bizantina, dando-a destaque em meio à capital francesa.

Voltei às margens do Sena para visitar a Shakespeare and Company, uma das mais famosas livrarias do mundo e que também fez parte dos chamados 'anos loucos' de 1920. Depois de muito constrangimento, descobri que não é permitido tirar fotos no interior da livraria – risos. Praticamente do outro lado da rua, fica a Catedral de Notre Dame, na chamada Île de la Cité – que é, incrivelmente, uma parte de terra, como uma ilha, no meio do rio. A igreja, um marco do estilo gótico, é linda por fora e por dentro – ainda que, em termos de decoração, seja mais tímida internamente. Foi uma grande emoção principalmente ter visto as gárgulas que fazem parte do filme 'O corcunda de Notre Dame'.

O Quartier Latin, bairro latino de Paris, fica nos arredores da Île de la Cité. É o menor bairro da cidade – com ruas tão confusas quanto as de Veneza – e é majoritariamente composto de estudantes. Essa grande presença universitária, de diversas partes do mundo, faz com que os produtos por lá sejam mais baratos, hajam restaurantes de várias nacionalidades e que a vida noturna seja muito agitada. Mais para o fim da noite, assisti a um show de jazz ao vivo em um dos bares do bairro. A experiência foi incrível, e foi assim que terminei minha jornada pela cidade-luz!

INGLATERRA

Ônibus característicos e o Big Ben compõem a vista da capital britânica (Foto: Alexandre Policarpo)
Ônibus característicos e o Big Ben compõem a vista da capital britânica (Foto: Alexandre Policarpo)

Só a ida para o país já foi incrível: foi sensacional ter conhecido o Eurotúnel. O túnel liga a França à Inglaterra sob o oceano! Não conseguimos ver nada do lado de fora – ficamos em um vagão 100% opaco –, e a viagem durou cerca de 2h. Chegando na Inglaterra, também não tive problemas com a imigração, que precisa ser feita mesmo o país, até então, fazendo parte da União Europeia. Inclusive, não se esqueça de levar suas libras: euros não são aceitos em praticamente nenhum estabelecimento inglês. E, falando nisso, um pouco devido à moeda, esse é o país mais caro dos que visitei, empatado com a Suíça.

A impressão que tive foi como se estivesse em um mundo à parte, sabe? Essa coisa de família real e extrema devoção à rainha me levaram a uma época que, com certeza, não faz parte do século XXI! Gostei muito de ter a experiência de visitar um país que leva a monarquia e o tradicionalismo tão a sério. Contraditoriamente, esse foi o país que julguei ser o mais próximo das realidades mais cosmopolitas como New York, nos EUA, e com arquiteturas mais contemporâneas – salvas exceções, por exemplo, de resquícios medievais.

LONDRES

Meu primeiro passeio por Londres foi para conhecer a cidade no fim da tarde. Fui ao Palácio de Westminster, onde ficam o parlamento inglês e o Big Ben, à Tower Bridge e à área externa da Tower of London. Além disso, andei pelo centro e pude ver a grande diferença que existe entre a Londres medieval e a Londres contemporânea.

Comecei o outro dia, visitando a parte interna da Tower of London. Para quem se interessa pelo Reino Unido, é um passeio incrível por ser um museu que detalha um pouco dessa história e mostra, inclusive, as joias das rainhas britânicas. Continuei pela Trafalgar Square, uma das maiores praças da cidade, e outros pontos turísticos como a igreja St. Paul's Church e a arena de espetáculos Royal Albert Hall – onde infelizmente não pude assistir a shows ou algo do tipo. De lá, segui para o Hyde Park e percebi que essa área verde é indispensável para a cidade, tão urbanizada como é. À noite, consegui ver a Tower Bridge iluminada e encantadora, a partir de um pub da região.

WINDSOR

O Windsor Castle foi meu foco no outro dia de tour pela Inglaterra. Situada a cerca de 1h de Londres, Windsor é uma cidadezinha bem pequena e com poucos habitantes, e sua mais monumental construção é o castelo da família real britânica. Quando a rainha está no castelo, uma bandeira do Reino Unido é hasteada – o que não aconteceu enquanto estive lá. O castelo é uma construção medieval, e, em seu interior, em questão de decoração, até se assemelha ao Palácio de Versalhes, da França. Ainda que a cidade seja afastada, não é difícil encontrar lugares para se comer na região: desde os simples McDonald's até os caros restaurantes ingleses, há uma porção de estabelecimentos à sua escolha nos entornos do castelo.

LONDRES

De volta a Londres, desci novamente às margens do rio Tâmisa, onde fica a parte mais turística da cidade. Felizmente, quando fui à London Eye, havia uma promoção de ingresso para a roda gigante mais famosa do mundo, acompanhado de entrada para o museu Madame Tussauds por um preço promocional e com fila diferenciada; então, vale a pena conferir esse tipo de informação na hora da compra. A London Eye é linda e te possibilita ter uma visão bem ampla da parte sul da cidade. Outra dica é ir próximo ao horário do pôr do sol, porque a vista é incrível!

O outro dia já era de partida. Antes, fui rapidamente ao museu Madame Tussauds, onde estão as estátuas de ceras de grandes personalidades – que é muito divertido! – e ao British Museum, um dos maiores da cidade, com a fachada em uma arquitetura greco-romana linda, mas a qual, internamente, a contemporaneidade da construção se contrapõe. Visitei, também, a linha do Meridiano de Greenwich e, assim, pude brincar de estar 'em dois lugares ao mesmo tempo'.

Voltei para o Brasil cansado, mas muito feliz com o resultado de toda essa história. Espero que vocês possam aproveitar algumas dessas dica!